TV E EDUCAÇÃO: É PRECISO FAZER A UNIÃO
Resumo:
A dificuldade que o professor tem no uso da televisão em sua ação pedagógica, é tão evidente, que me levou a escrever este artigo, pois percebo que a educação deve ter um papel fundamental na ajuda aos educando em relação a telinha, eles precisam que o professor possa intervir e ajudá-lo a entender o que é viabilizado por ela(a tv).
Palavras-chaves - Televisão, Educação, Formação de professor,
A Escola e a televisão ainda não atuam em uma cooperação mútua, o que Cássia Borsero chama de interação produtiva. Ela diz: ”escola e TV ainda atuam ignorando -se mutuamente”. A TV há mais de 50 anos ativa no Brasil, mas apenas 10 anos começou a ocupar os espaços escolares, espaços físicos, porque na verdade, Ela tem ocupado um “canto”, nas escolas públicas, guardada, muitas vezes empoeirada, quase nunca utilizada, e quando isso acontece, é para ocupar o tempo de alunos com vídeo em aula vaga, e outras formas de uso, sempre sem um olhar sistemático e crítico para o que foi apresentado. Constantemente ao final do vídeo, as crianças vão embora sem que, o professor faça intervenção sobre o conteúdo assistido ou a linguagem utilizada. MORAN(2005) também adverte que a escola ainda não aprendeu a dominar o uso do vídeo e da tv, e agora já estão sendo deixados de lado, por causa desta nova era cibernética.
Apesar de professor e TV estarem tão próximos fisicamente, é perceptível a distancia que existe entre eles. Segundo (Umberto Eco, 1988) dois grupos destacam posições sobre a TV, os apocalípticos:“ ...Acreditam que a televisão provoca todo tipo de males físicos e psíquicos: problema de visão, passividade, consumismo, alienação, trivialidade.” Apesar dele citar o grupo dos integrados que “acreditam que a televisão oportuniza a democratização do conhecimento e da cultura, ampliação dos sentidos, potencialização da aprendizagem e a democratização das posições plurais.
Acho que o movimento dos apocalípticos, com ideais que colocam a tv como vilã, e responsáveis pelas coisas ruins e negativas acontecidas na sociedade atual, muito contribuiu para essa distancia que existe entre a escola e a TV, sim, por que eles sempre pregaram a não utilização da mesma, e principalmente em se tratando de Educação. Eles conseguiram contribuir para que educadores se posicionassem de forma contraditória à TV, mantendo-a longe de seu fazer pedagógico. Mesmo sendo poucas as posições apocalípticas atualmente, ainda há quem defenda a não entrada dos meios de comunicação na escola, independente da intenção que se possua (Bourdieu, 1999).
Não consigo entender a postura de (Martín-Barbero, 2000. p.53) “é radicalmente contra a idéia de que na escola deve-se inserir de forma apressada as novas tecnologias.” Esse posicionamento me indigna, por que as novas tecnologias tem chegados às escolas públicas de forma mais lenta possível, muitas escolas ainda não dispõe das tecnologias e isso compromete consideravelmente a qualidade de ensino público. Eu acho que uma pessoa com uma postura destas, pode-se dizer que é do contra. Contra as classes menos favorecidas, contra as escolas públicas, contra as melhorias e etc.
O PODER DA TV
(CHAUÍ ) demonstra uma preocupação muito grande sobre a questão da manipulação que a TV faz de fatos e que de forma desrespeitosa, transforma os telespectadores em massa de manobra, direcionando a opinião pública a pensar do jeito que ela quer, e não do jeito que cada indivíduo tem possibilidade de fazer. A opinião é pública, mas, o privado atua de forma definitiva na formação do pensar da população. Quem é capaz de duvidar de grandes jornalistas na frente de uma câmera, a apresentar um jornal? O poder de credibilidade da televisão faz com que ela se aproveite disso e direcione o pensar do povo aos interesses da classe dominante, incutindo ideologias, reproduzindo formas de poder capitalista, estimulando o consumismo e etc. É preciso que o telespectador conscientize-se de que entre ele e a notícia existem jornalistas que estão ali, mediando a transmissão para moldar a notícia, do ângulo que melhor lhe convier, ou seja convier à emissora. Existem pessoas especialistas por trás de qualquer programação, e seja ela qual for, com certeza será sempre carregada da intencionalidade de quem a produz. Acho que é por isso que José Manuel Moran e outros se preocupam tanto com a formação do professor, para que ele perceba a necessidade de despertar a sensibilidade crítica à programação viabilizada pela TV.
(MORAN, 2005) aborda também sobre a corrida desesperada pela audiência faz a televisão Hiper-explorar nossas emoções, nossas fantasias, nossos desejos, que conseqüentemente, faz-nos descuidar da análise, o nosso senso crítico fica inibido com esse poder atrativo, essa forma de combinação das várias linguagens e essa velocidade de transição de uma imagem à outra em tempo curtíssimo. Essas características acabam explorando nossas emoções de tal maneira que não nos deixa tempo para fazer a análise crítica, ou seja, a atração, emoção e as fantasias nos levam a deixar um elemento tão importante em segundo plano. Isso é proposital, intencional, as pessoas que estão por trás destas programações não têm o mínimo interesse em despertar sensibilidade crítica no telespectador, querem mais é que ele seja alienado.A TV desempenha esse papel e com sucesso. Cada vez mais, ela desenvolve novas formas de sedução, com incrível facilidade de sair da ficção para o real e vice-versa. A exemplo das telenovelas, reality-shows(big-brother) e semelhante. Então nós vemos o real fazendo parte da ficção como vemos claramente nas telenovelas muitas vezes, cantores fazer cenas de shows, depoimentos de pessoas reais e não personagens, participação de instituições sociais, jogadores, e etc. Também posso citar exemplos de ficção fazendo parte do real como a personagem de malhação (Natasha) também a banda RBD da novela Rebeldes que estão fazendo sucesso. Saíram da ficção para o real. Enfim, a realidade e a ficção se misturam em muitos momentos de uma novela, atualmente.
Então é preciso estar atento para o fato de que a TV educa. Mas, que tipo de educação ela poderá estar fazendo? Que tipo de cidadão ela quer formar? Claro que deve ser aquele reprodutor de suas ideologias. O professor Rui Grilo que ensina na rede pública em São Paulo, Citado por (BORSERO, sd) diz sobre a tv:”Ela forma ou deforma, e cabe a nós oferecer uma leitura crítica da TV”.
(BORSERO,sd) fala do poder educativo da TV e nos faz refletir sobre essa escola cansativa, pautada em currículos lineares, “conteúdista”, e muitas vezes sem conexão com a realidade e diz que a TV coloca em cheque esse modelo. Moran também coloca esta questão, e diz que a escola é distante e intelectualizada, e foi criada para educar. A TV foi criada para o entretenimento, mas a maneira como ela fala de forma impactante e sedutora acaba educando melhor que a escola."justamente porque a televisão não diz que educa o faz de forma mais competente” (Moran).
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A capacidade que a televisão tem de combinar as várias formas de linguagens ( imagens, falas, música, escrita, etc.) ao mesmo tempo, é que lhe confere essa eficácia. Ela invadiu todos ou quase todos os lares e é preciso que a escola esteja pronta para fazer as intervenções necessárias para que os alunos não se tornem meros assistidores: “mecânicos” teleguiado, alienados.
FORMAÇÃO DE PROFESSOR
Essa distancia entre a TV e o professor tem sido uma constante preocupação de especialistas que estudam o uso das tecnologias na Escola. É imprescindível que o professor se aproprie da TV em sua prática pedagógica. A exploração da linguagem televisiva o ajudará a melhorar o desempenho de sua classe e também ele poderá estar sempre despertando o senso crítico no aluno. Trazendo para a sala de aula debates de temáticas do tipo: racismo, consumismo, segregação social e racial, distância que há entre assistir e consumir os produtos das propagandas televisivas, política dentre outros temas.
Programas e políticas públicas, a exemplo da TV Escola, TVprofessor, MultiRio e acredito que haja muitos outros em dimensões menores por todo o Brasil, são implementados, mas ainda é insuficiente, é preciso uma intervenção mais consistente do Ministério e Secretarias Estaduais e Municipais de Educação nesta direção.
O fato das Políticas Públicas serem insuficientes, não significa que o professor tenha que descartar a TV. Acho que ele pode e deve buscar, através de leituras, pesquisas em internet e/ou outros recursos para estar se atualizando, fazendo a sua parte, para o entendimento das diversas formas de expressão audiovisual.
O Professor José Manuel Moran é uma das pessoas, que defende uma capacitação apurada do professor para que este possa estar preparado para fazer intervenções corretas nos momentos certos, convidando os alunos a fazerem reflexões sobre o que é exibido nas programações cotidianas da TV e não só de vídeos.
“A escola precisa observar o que está acontecendo nos meios de comunicação e mostrar isto na sala de aula, discutindo tudo com os alunos, ajudando-os a que percebam os aspectos positivos e negativos das abordagens sobre cada assunto...”(MORAN,2005).
Diante de todos os recursos e possibilidades de aprendizagens que a TV disponibiliza só resta ao professor tirar proveito disto, também procurar pressionar o Sistema Educacional a ampliar as políticas públicas voltadas para formação de Professores neste aspecto, pois a questão da falta de ética na Imprensa está aí, é um problema sério, é preciso formar cidadãos preparados para lidar com esta situação e este é o papel da escola mediar esta relação.
Referências:
- BOURDIEU, P. " Sobre televisão" São Paulo:Jorge Zahar Editor, 1999
- BORSERO,Cássia. “televisão e escola: um diálogo possível” Disponível em: www.midiativa.org.br
- CHAUÍ, Marilena. "Por trás da crise está a luta de classes". Revista, Caros Amigos, São Paulo, V.104, nov.2005
- Tecnologias educacionais e educação à distância: Avaliando políticas e práticas/ Raquel Goulart Barreto (org), Nelson de Lucca Pretto...[ et al] cap. “ TV na Escola” por Gláucia Campos de Guimarães. Pág. 161-174, RJ, Quartet; 2001.

